Papai Noel Pastor, Natal Proibido e Outras Verdades que Nunca Lhe Contaram

A figura do Papai Noel não é uma mera invenção; ela é baseada em uma pessoa real: Nicolau, um bispo cristão que viveu no final do século III e início do século IV em Patara, uma cidade que hoje pertence à Turquia.

Introdução: Muito Além das Luzes e da Árvore

Para a maioria de nós, as tradições de Natal parecem familiares, imutáveis e eternas. Montamos a árvore, trocamos presentes e contamos histórias sobre o Papai Noel como se esses rituais tivessem existido da mesma forma desde sempre. Sob a familiar pátina de luzes e canções, no entanto, esconde-se uma história de transformações radicais, apropriações culturais e reviravoltas surpreendentes.

Este ensaio mergulha nas camadas da história para revelar os fatos mais inesperados sobre o Natal. Prepare-se para descobrir as ricas e, por vezes, contraintuitivas origens que moldaram a celebração que conhecemos hoje, desde um bispo perseguido que inspirou o Bom Velhinho até a época em que celebrar o feriado era considerado um crime.

1. Papai Noel existiu de verdade (e era um pastor que lutava por sua fé)

A figura do Papai Noel não é uma mera invenção; ela é baseada em uma pessoa real: Nicolau, um bispo cristão que viveu no final do século III e início do século IV em Patara, uma cidade que hoje pertence à Turquia. Após a morte de seus pais, Nicolau fez um voto de usar toda a sua herança para ajudar os necessitados, os doentes e os órfãos.

A lenda mais famosa sobre sua generosidade conta que ele salvou três filhas de um homem pobre de serem vendidas como prostitutas. Secretamente, durante a noite, Nicolau jogou três sacos de moedas de ouro na casa da família, garantindo o dote necessário para que elas pudessem se casar. Algumas versões da história dizem que o ouro caiu em meias que estavam secando perto da lareira, dando origem à tradição de pendurá-las para receber presentes.

Além de sua caridade, Nicolau foi um importante líder da igreja como bispo de Mira e sofreu perseguição por sua fé cristã sob o governo do imperador romano Diocleciano. Com o tempo, seu nome evoluiu: imigrantes holandeses levaram a tradição de São Nicolau (“Sinter Klaas”) para os Estados Unidos, onde o nome foi adaptado para “Santa Claus”. No Brasil, o termo “Papai Noel” foi herdado do francês “Père Noël”, que significa literalmente “Pai Natal”.

A figura histórica de Nicolau era, acima de tudo, um exemplo de fé em ação, um fato que muitas vezes se perde na fantasia moderna.

“Por que é que a gente não pode simplesmente explicar quem foi verdadeiramente esse homem ao invés de tentar rejeitá-lo? Foi um cristão, Papai Noel foi crente, Papai Noel era pastor.”

A jornada deste bispo, que dedicou sua fortuna aos pobres, tomaria um rumo inesperado séculos depois, culminando em um dos mitos de marketing mais duradouros da história. Mas, antes disso, enquanto sua figura se consolidava na Europa, a própria celebração do Natal enfrentaria uma resistência feroz no Novo Mundo.

2. Houve um tempo em que celebrar o Natal era crime nos Estados Unidos

Pode parecer inacreditável, mas celebrar o Natal já foi ilegal em partes da América. Os puritanos que se estabeleceram na Nova Inglaterra desaprovavam veementemente as comemorações natalinas, que consideravam uma festividade pagã, imoral e um desperdício. Para eles, a data estava associada à “decadência do catolicismo” e a comportamentos desregrados.

A oposição era tão forte que, em 1659, os puritanos conseguiram proibir oficialmente a celebração do Natal em Massachusetts. A mudança de percepção só viria séculos depois. Em uma época de turbulência nacional, o Natal foi reimaginado, deixando para trás suas conotações mais turbulentas para se tornar uma celebração familiar com o propósito de unir o país. Foi apenas em 1870, sob a presidência de Ulysses S. Grant, que o Natal se tornou um feriado federal, marcando uma drástica reversão cultural.

A ironia é que, de um feriado outrora proibido por suas supostas raízes pagãs, o Natal se transformaria em um fenômeno cultural global, absorvendo uma espantosa variedade de tradições locais.

3. Frango frito, teias de aranha e um gato devorador: as tradições mais estranhas do mundo

Longe de ser monolítico, o Natal revela uma incrível diversidade cultural ao redor do globo, com tradições que vão do curioso ao francamente bizarro.

No Japão, onde o cristianismo é minoritário, a Véspera de Natal é vista como uma ocasião romântica para casais. Desde uma campanha de marketing bem-sucedida nos anos 1970, o jantar tradicional da data se tornou o frango frito da rede KFC, com a demanda sendo tão alta que as pessoas formam filas enormes dias antes para garantir sua refeição.

Na Islândia, o folclore local adverte sobre o “Yule Cat” (Gato do Yule), um gato preto gigante que, segundo a lenda, perambula pelo país e devora qualquer pessoa que não tenha ganhado uma roupa nova para vestir no Natal.

Já na Ucrânia, as árvores de Natal são frequentemente decoradas com teias de aranha brilhantes. A tradição vem da lenda da “Aranha de Natal”, que conta sobre uma família pobre que não tinha dinheiro para decorar sua árvore. Na manhã de Natal, eles acordaram e encontraram a árvore coberta por teias de aranha que, com a luz do sol, haviam se transformado em fios de ouro e prata.

Essa diversidade de costumes se estende até mesmo à figura central do Papai Noel, cuja imagem moderna é, ela própria, objeto de um dos mitos de marketing mais persistentes da história.

4. Não, não foi a Coca-Cola que vestiu o Papai Noel de vermelho

Um dos mitos mais duradouros da cultura pop é que a Coca-Cola inventou a imagem moderna do Papai Noel com seu terno vermelho. Embora suas campanhas publicitárias a partir de 1931 tenham popularizado imensamente essa imagem, a empresa não a criou.

Historicamente, o Papai Noel já havia sido retratado em trajes de várias cores, incluindo azul, verde e amarelo. A primeira imagem publicitária conhecida de um Papai Noel com casaco vermelho data de 1868, em um anúncio para uma empresa de doces chamada “sugar plums”. Mais importante ainda, em 1881 — décadas antes da campanha da Coca-Cola —, o influente cartunista Thomas Nast desenhou uma ilustração chamada “Merry Old Santa”, que já mostrava a versão robusta e alegre do Bom Velhinho vestindo o traje vermelho que hoje é seu padrão.

Se a imagem do Papai Noel foi moldada ao longo do tempo, a própria data da celebração foi, talvez, a mais estratégica de todas as invenções.

5. A data do Natal provavelmente foi uma jogada de marketing religioso

A Bíblia não especifica a data de nascimento de Jesus. Na verdade, com base nas descrições de pastores cuidando de seus rebanhos nos campos, alguns estudiosos sugerem que o nascimento provavelmente ocorreu na primavera. Então, por que comemoramos no dia 25 de dezembro?

A primeira conexão conhecida com essa data foi registrada em 336 d.C., quando o Papa Júlio I a escolheu oficialmente para a “Festa da Natividade”. A teoria mais aceita é que a escolha foi estratégica. A data coincidia com importantes festivais pagãos do solstício de inverno, como a Saturnália em Roma, uma celebração de uma semana marcada por festas e troca de presentes em homenagem ao deus Saturno. Ao estabelecer a celebração do nascimento de Cristo na mesma época, a Igreja Católica provavelmente visava “cristianizar” esses rituais, absorvendo seus costumes populares para facilitar a conversão das pessoas ao cristianismo.

Conclusão: O Natal que Carregamos Conosco

O Natal que celebramos hoje é, na verdade, uma complexa e fascinante tapeçaria tecida com fios de fé cristã, história antiga, lendas pagãs, folclore regional e, sim, um pouco de marketing moderno. Conhecer essas origens não diminui a magia do feriado; pelo contrário, a enriquece, revelando a incrível capacidade humana de adaptar, transformar e dar novo significado às suas tradições mais queridas ao longo dos séculos.

Agora que você conhece a história por trás da lenda, qual dessas verdades mais surpreendeu você e como isso pode mudar a maneira como você compartilha as histórias de Natal com sua família?

As opiniões expressas neste post são minhas e não refletem necessariamente a visão de qualquer outra pessoa ou organização. Lembre-se: A Bíblia Sagrada é a única fonte infalível de verdade e deve ser interpretada com o auxílio do Espírito Santo.

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Willian Souza
Willian Souza